Paquerar taurinos, aprender a amar e parar de odiar a própria vida


Alô, Benzinho é a coluna que te socorre dos sofrimentos do coração jovem. Conte o seu dilema!

Estou gostando de um cara que é bipolar. Ele toma medicação, mas ainda assim é muito instável e tem dificuldade de falar sobre os próprios sentimentos. Estamos bem próximos mas nem tenho certeza do que ele acha de mim, tenho medo de perguntar e parecer precipitada. O que eu faço? Devo insistir mesmo com o transtorno dele?


Eu não tenho como saber!

Mas independentemente da decisão que você tome, o que eu posso te dizer é para evitar se colocar numa postura de  salvadora, uma dinâmica comum quando pelo menos uma das partes tem uma doença mental.

Esse cara sempre vai ter esse transtorno, então não se jogue nessa com a esperança de que ele mude. Ele pode lidar com a doença de jeitos diferentes, é claro, mas não cabe a você cobrar isso, e a longo prazo essa dinâmica pode ter consequências emocionalmente desastrosas. Existe uma diferença entre ser uma terapeuta e uma namorada, e uma delas é que pelo menos a terapeuta é financeiramente ressarcida para lidar com as lombras alheias.

Eu acabei de ser chutada, o que eu faço pra não me sentir um lixo?


Se deixe se sentir um lixo! Você tem esse direito. Faz parte do processo de cura se afundar em lágrimas, sorvete, filmes ruins e músicas dramáticas. Tenha conversas intermináveis sobre o mesmo assunto com sua amiga mais paciente! Delire achando que viu a pessoa na rua – era só uma palmeira se movendo com a brisa! Stalkeie o Facebook da criatura para descobrir aonde ela vai no final de semana e faça uma aparição pretensamente casual – que será sabotada pela sua tentativa desesperada de chamar atenção ficando com amig@s del@! Você é uma mulher com um coração partido, e tudo isso faz parte do seu show.

A questão não é nunca se sentir um lixo, e sim saber quando parar de se sentir um lixo. Aí você vai precisar de uma amiga bem impaciente que te mande dar um jeito na sua vida. Ou talvez você precise chegar ao fundo do poço e finalmente entender que só você vai poder se arrancar de lá – ou pelo menos subir para um pouco mais perto da luz.

O consolo é que daqui há uns dez anos você vai até se lembrar da dor que sentiu, mas é provável que essa pessoa não signifique mais nada, e talvez você até mesmo não consiga entender porque gostava dela. Como diz o Fabrizio De André, amor que vem, amor que vai.

Eu tenho 17 anos e eu odeio muito a minha vida. Desde minha pré adolescência eu sonhava que no ano seguinte as coisas seriam diferentes, mas sinceramente, eu só venho acumulando decepções. É muito triste e agoniante perceber o quão pouco as coisas mudaram nos últimos anos; eu tenho uns três amigos de verdade (e mesmo assim, a gente raramente consegue se ver), ainda não me sinto confortável com a minha aparência, quase nunca saio de casa, não leio nem metade do que gostaria e minha vida amorosa é uma piada.


Parece que essa mensagem foi enviada diretamente do meu eu do passado! E isso é o que eu gostaria de ter dito para a Amanda de 17 anos: sua realidade não vai mudar se você não mudar a si mesma. Não porque se você trocar de ponto de vista magicamente o mundo vai se transformar em um episódio de My Little Pony, mas porque o modo como você se comporta define uma parte considerável de como sua vida vai ser.

É claro que existem situações fora do nosso controle: a política brasileira, misoginia, racismo, a carreira da Taylor Swift. Mas também temos um espaço, ainda que pequeno, no qual podemos fazer algumas mudanças, e quando falamos de insatisfações pessoais, é nele que devemos nos concentrar.

Eu passei minha adolescência inteira esperando minha vida acontecer, mas surpresa: ela não aconteceu. Ou melhor, ela não aconteceu do jeito que eu imaginei que iria, mas em parte porque eu não me esforcei para isso.

Por favor, não interpretem isso como um discurso pró-meritocracia! O que eu quero dizer é: eu reclamava de não ter amigos, mas o tempo que eu passava enfurnada dentro do meu quarto e o modo como eu evitava interagir com outras pessoas tinha mais a ver com isso do que o fato de eu ser alguém impossível de se gostar, como eu imaginava na época (e até hoje, nos meus dias ruins).

Ou seja, você pode não conseguir realizar os seus sonhos, mas as chances vão ser menores se você não fazer algo para ir atrás disso. Faz sentido você estar triste, mas tente ir além da tristeza e encontrar atitudes que vão te ajudar a chegar um pouquinho mais perto da vida que você quer. Identifique seus comportamentos autossabotadores e desenvolva estratégias para lidar com eles. Crie objetivos realistas. Se lidar com as próprias emoções está sendo difícil demais e um terapeuta é algo que cabe no seu orçamento, não hesite em procurar ajuda!

Sobre a sua aparência, entender mais sobre a relação entre beleza e misoginia (olá, Sheila Jeffreys!) me ajudou bastante a ficar em paz comigo mesma, talvez esse possa ser um caminho interessante para você também!

E sim, coisas ruins vão acontecer, você nem sempre vai conseguir o que quer, e frequentemente a culpa disso não vai ser sua. Parte da maturidade está em conseguir distinguir o que é responsabilidade nossa e o que é simplesmente a vida sendo uma merda. A não ser que você alcance o nirvana ou se transforme numa pedra, é improvável que em algum momento você esteja 100% satisfeita com tudo da sua vida.

Como um taurino demonstra que está interessado em você?


Eu não sei de onde as pessoas tiram a ideia de que eu manjo de astrologia, mas imagino que faça parte do pacote "jovem moderna com conta no Twitter e vida amorosa conturbada".

Mas vamos lá: não existem "taurinos"! Seu boy só tem sol em touro. Isso pode significar um bilhão de coisas, mas é bem baixa a chance de uma delas dizer respeito a como ele flertaria com você.
Adivinhar a personalidade de uma pessoa pelo sol dela é a mesma coisa que assar um bolo sem ter as medidas dos ingredientes: a informação não está completa, não há muito o que fazer com ela.

A não ser que você tenha grana (e esteja obcecada o suficiente) para pagar um astrólogo, faz mais sentido procurar outro caminho para entender esse cara: conhecer ele! Bizarro, eu sei.

Eu tenho buscado relacionamento sério faz um tempão, e culpava os caras por nada dar certo. Mas recentemente comecei a perceber que o problema era mais meu do que deles, sempre me apaixonei por gente enrolada e dava o pé quando era alguém que gostava de mim e queria namorar.


Sou muito acostumada a ficar sozinha mas sonho com um relacionamento gostosinho. Isso existe?? Como se pratica a arte do amor sem cansar da pessoa em 3 dias nem arrancar os cabelos? Dsclp as pergunta difícil mas me ajuda


Existe! Não nos moldes como a gente idealiza, afinal a realidade sempre vai ser mais pálida do que o sonho, mas existe. Agora, já que você está solteira, faz mais sentido trabalhar suas questões particulares do que se preparar para um relacionamento hipotético do futuro.

Tenho o mesmo problema que você e, no meu caso, a causa é baixa auto-estima e ansiedade. Entender as próprias lombras e mudar o modo de se relacionar com elas é uma das coisas mais interessantes de estar vivo.

Estar solteira é uma oportunidade incrível para se dedicar completamente a isso sem ter que se preocupar com seu parceiro, os problemas dele, como eles afetam o relacionamento, como os seus problemas impactam a relação etc, etc (viu que saco?).

Seja com terapia, livros, religião, grupos, cursos, você tem tempo e espaço para se dedicar completamente a si mesma. Aproveite! ✨


Envie seus dilemas para a coluna de conselhos

Outras lamentações e conselhos mais ou menos sábios em Chefe gato, feiúra kármica e amores platônicos e Como parar de ser trouxa e abandonada por um virginiano. Veja todas as edições do Alô, Benzinho.

Me stalkeie: Facebook, Twitter e Instagram.

0 textões:

Postar um comentário