Cinco youtubers que não são um saco

Oi, meninas

Odiar youtubers é um consenso na bolha online da qual faço parte, e consigo entender porquê.

Um dia a internet nos trouxe a esperança de distribuir e consumir cultura sem o intermédio das grandes empresas malignas… mas fomos ingênuos e não percebemos que as próprias plataformas onde estávamos publicando eram as empresas malignas – e que a nova forma de pagar por cultura não era entregando dinheiro e sim dados pessoais a serem vendidos para times de publicidade. Eurgh. Parece um enredo de um livro cyberpunk, mas é só a realidade, acontecendo agora.

Youtubers são fáceis de ser odiados porque em vez de criar um novo formato de vídeo e conteúdo, boa parte deles está reproduzindo os mesmos modelos de entretenimento que já estamos cansados de ver na televisão.

É como se a mediocridade migrasse sempre para onde o dinheiro está, independentemente da mídia em questão. Afinal, não há tanta diferença entre a banheira de Nutella e a piscina do Gugu, ou entre os vídeos de "trollei a minha mãe" e os barracos de Casos de Família (pelo menos Casos de Família consegue ser engraçado). Não sei se vocês também tiveram o infortúnio de ver algum vlogueiro comentar os memes da semana à la Faustão comentando as videocassetadas, mas não é uma experiência que recomendo.

Eu não culpo youtubers individualmente, é claro, porque todo mundo só está tentando aproveitar as melhores oportunidades que recebe e tal (Com exceção do cara do vídeo da banheira de Nutella. Sério. Uma banheira de Nutella! Você consegue não julgar isso?). Também não condeno o jabá. Às vezes acho um alívio que meu blog seja tão pequeno e eu não tenha que lidar com esses dilemas éticos. Embora, é claro, preferiria ser paga para escrever. Se tem uma coisa que não romantizo é "se sacrificar pela arte" – ou, no meu caso, se sacrificar pela exposição da própria vida pessoal na internet.

Sim, muitos canais focam no culto à imagem de uma pessoa específica, não vão além de ser uma vitrine para vender produtos, ou abraçam polêmicas de forma rasa para gerar visualizações… Mas calma lá! Youtube pode ser um lugar bem inóspito para quem não está procurando ver uma versão teen do Domingão do Faustão, porém, com paciência e sorte é possível encontrar ótimos canais.

Afinal, o problema não está no formato do vídeo, nem no fato de eles serem postados no Youtube. Por isso, em vez de rejeitar de uma vez a figura do youtuber, acho mais interessante promover aqueles que admiramos e que não possuem tanta visibilidade.

Existem canais grandes e famosos que gosto e acompanho, com Nunca te pedi nada, Rap Critic, Nerdwriter, Hel Mother. Mas o objetivo desse post é divulgar minha seleção especial de youtubers que não chegaram (ainda!) a um milhão de inscritos.


Matando Matheus a Grito

Eu não faço ideia se o Matheus Marx cursou cinema, mas foi a primeira coisa que pensei depois de apertar o play. Dá para ver que ele pensa o vídeo, e todos são produzidos com muito cuidado, desde a escolha trilha sonora à edição. É tipo o que o Gregg Araki faria se fosse youtuber em vez de diretor de cinema. Os vídeos me lembram os programas da MTV de quando eu não tinha idade para assistir MTV (aliás, o Gregg Araki já dirigiu o piloto de um programa da MTV, mas a série foi recusada! E vocês chorando por causa de Sense8).

Matando Matheus a grito mistura referências a filmes de terror, paródias das fórmulas gastas entre youtubers e sabedorias sobre a vida. Meus favoritos: Cinco filmes de terror + mousse assassina; uma entrevista com a artista e zineira Beatriz Perini, e essa diatribe sobre porque a gente deveria fazer outras atividades sociais além de ir para a balada.

A redoma de livros

Estou um pouco constrangida porque não quero parecer uma fã boba, mas eu adoro tudo que a Clarissa Wolff faz, tanto os vídeos para o canal quanto os textos no blog dela (imagine ser tão produtiva que você consegue alimentar regularmente não só um blog mas também um canal no Youtube! E ter um emprego!).

A Redoma de Livros trata de literatura e oferece exatamente o que você espera de um bom canal sobre o assunto: ótimas recomendações de livros e análises interessantes. É muito iluminador assistir às resenhas da Clarissa. Ela te ajuda a entender o que torna aquele livro único, mostrando quais são os recursos literários usados pelos autores e como o tema é trabalhado por eles. Além disso, a Clarissa costuma trazer um viés feminista para as análises, o que é bem importante para mim (e imagino que para você também, já que lê este blog). E os gatos dela são tão fofos e aparecem em todos os vídeos! Ok, vou parar agora.

Meus vídeos favoritos até agora são as resenhas de Amora, da Natalia Borges Polesso; Dias de Abandono, da Elena Ferrante; e Tribunal da Quinta-feira, de Michel Laub.

Tea Hacic

Esse é o canal que eu mais tive medo de compartilhar com vocês porque a) eu tenho ciúmes da Tea e queria ter ela só pra mim (sorry) e b) ela é tão maravilhosa que morro de medo de vocês clicarem nos vídeos dela e nunca mais sentirem vontade de voltar para este pálido bloguinho.

Tea é uma croata que foi radicada nos Estados Unidos mas mora na Itália (sim!), já escreveu para vários Veículos Importantes – Vice Italia, Wired, Wonderland, xoJane – e agora tem seu próprio site, Stai Zitta, cujo slogan é "UMA REVISTA PARA GAROTAS, GAYS, PERVERTIDOS E ANIMAIS BALADEIROS!".

Tea é uma fada madrinha para quem está nesse período entre fim da adolescência e começo da fase adulta – quando festas, sexo e conseguir desenrolar demandas da faculdade e do estágio são suas principais preocupações. Ela vai na contramão dos vídeos superproduzidos com qualidade HD e faz esquetes de comédia com aquela vibe amadora, faça-você-mesmo que amo.

Tea nos oferece sábios conselhos sobre como agir em um encontro ("Não deixe o crush te criticar ou fazer você se sentir mal. É para isso que servem os seus amigos!") ou que roupa usar na hora de conhecer os pais do seu namorado ("Se você se vestir como uma dama você não vai precisar agir feito uma"). Esta é a lição favorita que aprendi com ela: "Nada é constrangedor se você não ficar constrangido".

Luísa Ferrari

Não falo muito sobre isso aqui no blog, mas sou vegana desde os 16 anos. Mesmo assim, ainda há momentos em que não faço ideia do que cozinhar, principalmente quando se trata de lanches e café-da-manhã – acredito que esse seja um dilema popular entre veganos.

A grande estrela do canal da Luísa Ferrari, que fala sobre veganismo, é O que eu comi hoje. Nesse quadro, ela mostra todas as refeições que come em um dia. É bem bacana para quem é vegano ou vegetariano e precisa de ideias sobre o que cozinhar, e também uma forma de desmistificar a comida vegana para quem não é tão familiarizado com o assunto. Mais um motivo para assistir: os gatos de estimação da Luísa são os mais abusados que eu já vi na vida e sempre ficam tentando roubar comida ou se pendurando em lugares absurdos.

Daisy Foxglove
A Daisy é uma daquelas pessoas que você acha irritante à primeira vista, sem entender muito bem porquê, e depois acaba descobrindo que adora. Ela teve um dos blogs mais famosos do Tumblr quando eu (e ela) era adolescente, I love you less than punk, e agora publica vídeos no Youtube que estão bem próximos da era pré-Marketing Digital – quando a gente acompanhava blogs para ler histórias sobre o cotidiano dos outros e não listas (como essa que estou fazendo rs) ou publiposts.

Daisy é uma escritora e poeta autopublicada, mora na Austrália, trabalha como stripper e atualmente está casada com um designer. O canal dela é composto de uma miscelânea de histórias da vida de solteira dela e sobre os stripclubs onde ela trabalhou, além de resenhas de livros. Os títulos que ela usa são bem clickbait e podem assustar, mas o modo de contar histórias é perspicaz e autocrítico.

Meus favoritos são: Ser aquela garota em Hotline Bling, em que ela fala sobre o outro lado da música de Drake – quando um cara não te quer, mas vai atrás de você toda vez que você parece ter superado ele; e Ser famosa na internet na adolescência arruinou a minha vida?, em que ela analisa as vantagens (propostas de emprego! dinheiro! presentes!) e as desvantagens (haters anônimos! stalkers!) de ter sido famosa na internet quando era adolescente. ✨

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