Guia de sobrevivência para introvertidos no Carnaval

Como pular o Carnaval sendo tímido
Vocês, quando tiverem terminado de ler esse texto
Às vezes é como se existissem duas pessoas completamente diferentes dentro de mim: uma que adora ir para festas, dançar e conversar com desconhecidos, e outra que prefere ficar em casa lendo (lol) ou fazendo qualquer outra coisa que não envolva interagir socialmente.

Não é como se eu odiasse outros seres humanos (só às vezes), é que conversar com um número grande deles me deixa esgotada, sabe? Mesmo depois de ir para uma festa na qual  eu tenha conseguido me divertir, quando chego em casa sinto que preciso compensar passando as próximas 48 horas absolutamente sozinha.

Para mim, essa é grande lombra de ser introvertido: por mais que você realmente prefira masturbação e gifs de gatinho  atividades solitárias a eventos sociais, você continua sentido que deveria ser alguém mais sociável e "normal", como se tivesse algo errado contigo.

Aí entra a questão do carnaval, possivelmente é a única unanimidade entre brasileiros. Apesar de toda a fabulosidade da folia carnavalesca, nós, introvertidos, temos uma tendência a sofrer duplamente com ela.

Primeiro, porque rola mesmo uma dificuldade de estar um ambiente cujo foco principal é interagir com outras pessoas. Segundo, porque sentimos uma pressão para sair igual a todo mundo, afinal É CARNAVAL E SE VOCÊ NÃO GOSTA DISSO É PORQUE TEM ALGO PODRE TE CORROENDO A ALMA!!!

Por isso, pensei em algumas dicas que podem ajudar a gente a lidar com essa data com mais leveza e se pá até mesmo sair de casa – afinal, por que não?

1. Você não tem obrigação nenhuma de pular carnaval... 
Sim, para grande parte das pessoas ir para os blocos é divertidíssimo, mas talvez isso não seja mesmo o que você curte fazer. É totalmente de boa preferir ficar em casa vendo Netflix, ouvindo música, tricotando ou sei lá o quê.

Não perca esse tempo sagrado de solitude atualizando as redes sociais freneticamente (principalmente o Instagram!) e se sentindo mal vendo as fotos da galera fantasiada ou com os amigos em algum bloco. Um programa não é mais ou menos divertido só por ser feito em público ou com um grupo grande de pessoas. Se ir pro meio da muvuca não faz o seu estilo, você pode se divertir o mesmo tanto sozinho, fazendo algo que goste de verdade.

2. ...Mas não deixe a preguiça de interagir te impedir de tentar algo novo
Essa é para você que até tem curiosidade de sair e de conferir os blocos, mas acaba pensando demais nos pontos negativos (pessoas!!!! pessoas bêbadas!!! espaços abertos!!!! música alta!!!!)  e ficando desmotivado.

Poxa, carnaval só acontece uma vez por ano. E sim, pode ser que seja um saco, mas nesse caso você sempre pode voltar para a sua casa, certo? Na pior das hipóteses você vai ter tido uma experiência nova, ainda que um pouco entediante ou constrangedora.

 Foliã joga confetes em festa de carnaval de 1961 - Agência Estadão

3. Escolha um bloco que tenha a ver com você
Um fator preponderante para como vai ser o seu carnaval é onde você decide passar ele. Como já disse antes, tenho ojeriza a homem hétero que acha engraçado se vestir de mulher, então passo longe de blocos cuja temática é focada nisso, como um famoso daqui de Brasília. Aliás, blocos grandes e tradicionalmente heterossexuais costumam ter um monte de caras chatos que adoram encher o saco de minas sozinhas ou em grupos.

Pelo menos em BSB, existem vários blocos e festas voltados para públicos diferentes, como mulheres e feministas (Bloco das perseguidas), pessoas negras (Batekoo BSB) e LGBTs (Bloco do amor e Essa boquinha já beijei). Dê uma procurada e você vai encontrar alguma coisa bacana na sua cidade também!

4. Crie desafios sociais
Uma forma de me impulsionar a ser menos tímida é criar alguns desafios. Por exemplo, durante aquele dia específico, sempre que aparecer um semi-conhecido, não vou fingir que não vi igual geralmente faço (sorry,  gente) – vou cumprimentá-lo!

Essas regrinhas podem ajudar a gente a se soltar e a interagir com alguém que normalmente acharíamos intimidante demais. Outros desafios que podem ser divertidos: sempre que você vir alguém com um look incrível, elogie o fantasiado em questão ou se obrigue a conversar com pelo menos uma pessoa que você não conhece.

5. Não compense a ansiedade exagerando nos drinks
Beber demais pode parecer uma ideia genial até você desmaiar no meio do rolê ou então acordar no dia seguinte com a cabeça pesando uma tonelada e sem lembrar de nada do que aconteceu.

Não estou dizendo para não beber em hipótese alguma, e sim que excesso de bebida não cura ansiedade social. Ou seja, se mascarar a própria timidez é o motivo principal para beber, você vai continuar sendo uma pessoa tímida – mas a sua segurança em situações sociais vai estar sempre atrelada ao quão alterado você está na ocasião. A longo prazo, o retorno é mais interessante quando você consegue desenvolver suas habilidades de socialização sem usar álcool como muleta.

6. E, por último, relaxe
Justamente por ser uma data tão adorada, todo mundo vai estar mais aberto e receptivo. Sem contar que vai ter um monte de gente sendo mais idiota do que você ao seu redor. Ninguém vai te julgar, juro. Aproveite!

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