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CELÍACAS SAFADAS

Faz por volta de três anos que não consumo carne e dois que não encosto em produtos de origem animal. Costumo ser low-profile quanto aos meus hábitos alimentares porque 1) não suporto ser encarada por mais de três segundos, 2) odeio piadas sobre bife e 3) sou elegante.

secretamente esse blog é escrito pela gloria kalil

O veganismo te dá resistência para enfrentar qualquer tipo de intempérie. Familiares insistentes -- os seus e os dos outros –  ficam ainda mais irritantes, as piadas são sempre as mesmas e de repente todo mundo tem alguma opinião para dar sobre a inocente beringela no seu prato. Como sofrimento nunca é de menos, recentemente decidi parar de comer glúten. Agora a coisa ficou difícil, amigos.

Vocês sabiam que glúten e cola aparentemente tem a mesma origem em latim? Aparentemente ele forma uma capa inflamatória de cola no seu intestino que impede a absorção de nutrientes. Aparentemente seu consumo está relacionado com câncer nos rins. Aparentemente estou pensando em todos os Big Macs, miojos e bolos que já consumi na vida. Aparentemente foram muitos. Aparentemente estou calculando quantos pratos de salada tenho que consumir para anular todos os pães franceses de todos os cafés da manhã de toda a minha existência como uma ingênua consumidora dessa cola proteica maligna. 

Pedir um Subway vegetariano sem queijo já era uma pequena tortura. Os atendentes sempre me encaravam como se eu tivesse pedindo um sanduíche de fetos teriaky. Pedir uma SALADA VEGETARIANA SEM QUEIJO (já falei o quanto sou infeliz?), porém, consegue ser pior. O atendente fez questão de chamar outro lá do fundo para ver: "Olha só essa, salada vegetariana sem queijo". Posso considerar minha existência uma série de happenings herbívoros em redes de fast food. A única diferença é que não tiro a roupa (ainda). Da última vez, um cara levantou do nada de outra mesa para perguntar se era isso o que eu comia. Sou uma pessoa relativamente pacífica, mas deu vontade de enfiar no olho dele a faquinha de plástico que eu empunhava pra cortar a minha alface (sem molho). Pena que a ponta era arredondada. É impressionante o efeito que plantas hortenses causam nas pessoas.

Mas chega de saudade. Posso viver muito bem sem trigo. Só porque não como carne ovo leite queijo trigo aveia levedo de cerveja mel gelatina & açúcar não significa que tenho uma vida limitada. Nas minhas pesquisas pela internet descobri até um ramo novo da gastronomia, a culinária maromba. Me senti menos esquisita. Resolvi então compartilhar com vocês as receitas que tornam o meu dia mais gostoso. Depois dessa, ninguém pode dizer que veganos autodiagnosticados com doença celíaca não comem nada.

mas ah se ele voltar que coisa linda

MACARRÃO SEM GLÚTEN
Prepare o molho de macarrão. Jogue no prato e despeje um fio de azeite enquanto mentaliza um tumor no seu rim esquerdo

PÃO SEM GLÚTEN, SEM LEITE E SEM OVO
Misture água morna, sal, óleo e fermento. Deixe descansar por uma hora e leve ao forno médio por 30 minutos. Nem pense em margarina, nada diz eticamente correto como comer pão puro

GRANOLA SEM GLÚTEN E SEM MEL 
Junte óleo, água morna, essência de baunilha e passas. Acompanhe com leite (de arroz, ninguém precisa colaborar com a indústria chauvinista de exploração animal no café da manhã)

HAMBÚRGUER SEM GLÚTEN, SEM CARNE, SEM QUEIJO E SEM MAIONESE
Misture alface com rodelas de cebola e tomate. Sirva com batata-frita e lágrimas


***Para quem quer se informar sobre veganismo e alimentação saudável de verdade, recomendo o blog da Sandra Guimarães, o Papacapim. Não é tão sofrido quanto parece, juro***


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